A busca por propósito e realização tem levado cada vez mais brasileiros a reavaliarem suas escolhas profissionais na chamada “meia-idade”. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de pessoas que decidiram mudar de carreira entre os 40 e 50 anos cresceu significativamente nos últimos cinco anos, movimento que acompanha uma tendência global.
Levantamento da consultoria Korn Ferry aponta que 58% dos profissionais brasileiros nessa faixa etária pretendem mudar de carreira nos próximos cinco anos, índice superior à média mundial de 47%. Além disso, 35% já fizeram uma transição significativa, seja migrando para áreas totalmente diferentes, seja buscando funções com mais flexibilidade e qualidade de vida. Setores como tecnologia, educação e saúde lideram as preferências de quem decide recomeçar.
Para a professora da Estácio, Ariane Meneghetti, a idade não deve ser vista como um limitador. “As experiências de uma pessoa mais madura contam muito e podem torná-la mais resiliente, capaz de lidar com situações complexas e mediar conflitos. Isso a torna, em muitos casos, mais competitiva”, afirma.
Aos 40, muitos profissionais acumulam entre 15 e 20 anos de experiência, status que especialistas chamam de “faixa preta” no que fazem. Segundo estudo da AARP (American Association of Retired Persons), trabalhadores mais maduros têm alta capacidade de adaptação e são vistos como mais confiáveis pelos empregadores. Além das habilidades técnicas, acumulam competências comportamentais — as chamadas soft skills — essenciais para a atuação em equipes diversas.
Apesar das vantagens, o recomeço nem sempre é simples. Ariane lembra que ainda há estereótipos que dificultam a recolocação, como a ideia de que pessoas com mais idade têm menor capacidade de aprendizado, especialmente em áreas que exigem domínio de tecnologias. “Existe o medo de que o colaborador não consiga se adaptar às mudanças ou reaprender. Há também a percepção de que ele estaria mais
‘engessado’ e menos disposto a se reinventar”, observa.

















